Primeiramente, vamos dar os devidos créditos a esta Revisão:
http://blog.spielportugal.org/2007/11/brass-review.html
Todos os créditos à eles !!!
Where there’s muck there’s Brass
Esta pode ser a frase que promove o Jogo Brass. Literalmente será intraduzível, mas poderá ser algo como: Onde quer que haja trabalho sujo, haverá dinheiro !
O mapa de Brass mostra-nos uma parte da Inglaterra,
Lancashire, que viveu parte importante da Revolução Industrial. O jogo faz-nos
uma recriação, mais ou menos fiel, daquilo que pode ser interpretado como um
jogo de economia, “stricto sensu”, ou então um jogo de recriação histórica em
que vivemos, de fato, dois períodos distintos: O período dos canais em que a
circulação de mercadorias era feita por água, e o período do vapor, em que as
mercadorias circulariam por comboio de trens, numa muito maior eficiência e quantidade.

E se os jogos têm mérito quando nos passam sensações reais,
Brass consegue isso como poucos. Durante o jogo nós passamos mesmo por duas fases
distintas. No período dos canais, tudo é mais curto, os recursos são mais
miseráveis, as exportações e vendas de algodão são muito mais difíceis, assim
como as ligações entre as cidades.
No período do comboio de trens o desenvolvimento nota-se a olhos
vistos. Todos os investimentos dos jogadores são muito maiores, as ligações
entre as cidades são muito mais eficientes e rápidas e a produção de algodão
aumenta exponencialmente.
O jogo sugere uma lógica de crescimento econômico muito bem
simulada e todos os jogadores sentem essa evolução na forma como passam, mais
desafogadamente, a poder gerir os seus rendimentos. O problema, a dificuldade,
está sempre na concorrência porque, inevitavelmente, os nossos adversários
estão, tão ou melhor, preparados que nós para o advento do vapor.

Quando a principal crítica à última obra de Martin Wallace
passa pela quantidade obscena de sorte/azar que ela acumula temos medo. Temos
medo quando pegamos na novidade (Brass) e achamos que pode ser coisa idêntica.
Ufa! Não é. Apesar disso, as cartas foram a forma encontrada para o
funcionamento do jogo. Uma vez mais Martin Wallace voltou às cartas como
mecânica principal. A questão aqui, em Brass, é que as cartas não são, ou não
parecem ser, tão determinantes quanto isso. Elas representam um papel mais de
organização de funcionamento que de funcionalidade, de facto. E depois trazem
uma componente que o autor nunca descuidou e que faz parte da sua forma de fazer
jogos – aquela pontinha de aleatoriedade. Mas aqui a aleatoriedade representa
algo idêntico à aleatoriedade de Age of Steam, ou seja, é quase nula. Para além
disso, existem recursos no próprio jogo que fazem com que essa aleatoriedade ou
impossibilidade de realizar uma determinada ação, por falta de uma determinada
carta, seja eliminada.

Também é recorrente dizerem que os jogos de Martin Wallace
não são polidos. É verdade. E Brass não foge à regra. É muito pouco polido, é
até algo rude e cheio de coisas que parecem que atravancam o avanço daquilo.
Quando estamos a jogar, no início pelo menos, enquanto ainda não estamos
totalmente confiantes no que estamos a fazer, jogamos com muitas dúvidas,
apetece-nos agarrar nas regras. Brass é um jogo duro e sujo tal como a frase
que o promove.
A pergunta a fazer é: Compensa ter Brass na coleção ?
Para aqueles que gostam de jogos, na sua essência, sem figurinhas e perfuminhos colocados aqui e ali, Martin Wallace mostra todo seu potencial e afasta jogadores... Brass é um jogo para poucos... É um jogo feito para aqueles que querem sentar à mesa e ficar concentrado por algumas horas... Concentrado mesmo!!!
Não verá muitas mesas... Jogos econômicos são para poucos... Apenas aqueles que gostam...
Mas Brass é um p... Jogo !!! Do início ao fim !!! Apertado!!! Extremamente seco!!! E que merece estar nas Estantes de todos !!!
Altamente recomendado !